
Um livro fundamental para quem quer entender as peculiaridades da
ditadura brasileira Com seu estilo coloquial, direto e despojado, e
após polemizar em torno do comportamento do Poder Judiciário e do
escândalo político no livro Mensalão, Marco Antonio Villa agora
desmistifica a ditadura brasileira, tanto em sua duração como em seus
efeitos. Narra aqui a história desse período de maneira simples e
objetiva, com o intuito de ser claro e transparente.Já afirmou que "é
rotineira a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do
Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso. [...]
Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários [...]
privatizou e desindustrializou a economia [...], no Brasil ocorreu
justamente o contrário [...]. Os governos militares industrializaram o
país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de
estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil".
Sem se omitir quanto aos excessos que levaram à perseguição, tortura e
morte no período entre o final de 1968 e 1979, para ele, porém, "o
regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é
possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a
movimentação político-cultural. Muito menos os anos 1979-1985, com a
aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em
1982".Mordaz, Villa diz que o panorama intelectual brasileiro é
desalentador: "Com a redemocratização, os intelectuais foram se
afastando. Contam-se nos dedos aqueles que têm uma presença ativa". A
seu ver, muitos dos que hoje se dizem justiceiros do regime militar,
naquela época, "estranhamente, omitiram-se quando colegas foram
aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes,
Fernando Henrique Cardoso [...] ou presos e condenados, como Caio Prado
Júnior".
Sobre o Autor
Marco Antonio Villa é bacharel e licenciado em História, mestre
em Sociologia e doutor em História (todos pela USP). Professor do
Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar), é autor de diversos livros, entre eles "Mensalão: o julgamento
do maior caso de corrupção da história política brasileira" (LeYa,
2012) e "A história das constituições brasileiras: 200 anos de luta
contra o arbítrio" (LeYa, 2011).
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